Lagarta Lanuda

quinta-feira, janeiro 18, 2007



Desde segunda-feira que tenho pendurado à janela do meu quarto este belo exemplar que aqui vêem da Star Spangled Banner. Não sei se foi, calculo que sim, por causa do aniversário do Martin Luther King que decidiram, o A. e a H., pendurá-la, assim, sem avisar, tão pertinho de território português, mas a verdade é que já lá vão uns dias desde o feriado e a bandeira continua, com aqueles cinquenta olhos estrelados, um pouco gordita, que as riscas horizontais não perdoam, a olhar cá para dentro do meu quarto.

Já colei na parede ao lado da janela um postal do Rossio, ouvi Mariza, Camané, Trabalhadores do Comércio, comi um pastel de nata e outro de bacalhau (não comi nada, mentira, querias), mas nada. À noite tenho pesadelos, acho que o Michael Moore vai entrar aqui, o boné é a bandeira, e entrevistar-nos a todos para o 60 Minutes; depois deixa-nos o Charleston Heston.

Eu sei que não é por mal. Para um americano, a América é tudo, e a bandeira, à qual aprendem a jurar fidelidade desde pequeninos, a expressão máxima desse orgulho amor cegueira, que sei eu?

Melhor fechar a janela. Cerro as cortinas e deixo a bandeira e os juizos de valor lá fora. Entretanto, dou outra trinca no arroz de pato e nos ovos moles. Just in case.