Lagarta Lanuda

quinta-feira, setembro 28, 2006

Às cinco da tarde

Quando chego a casa, por volta das nove, depois de mais um screening, que em estrangeiro quer dizer ver os filmes de que se falou nas aulas desse dia ou de que se vai falar nas aulas seguintes, quando chego, vejo no computador que são cinco da manhã aí (o relógio do meu computador ainda está ajustado pelo vosso fuso horário, não sei porquê) e que, portanto, todos devem estar já a dormir. Assim espero.
Imagino-vos a descansar e fico contente por estar a escrever(-vos), ainda tão desperta, e como que a zelar pelo vosso sono.
Amanhã de manhã, vai ser o meu irmão, o primeiro a acordar, com a hora de avanço que lhe dá Espanha; depois, um a um, todos vós. Vão beber o café quente mas amargo de tão cedo que é, e sair de casa a caminho das escolas, das universidades, das livrarias, dos escritórios. Vão pensar no regresso a casa. Vão pensar no fim-de-semana. Vão pensar num fim-de-semana em S. Francisco ;). Mas, por agora, o sono.
E eu, que era quem aí acordava tão cedo – não é verdade, Sandra? – vou ser, afinal, a última a levantar-me. O café amargo também. Até vos dar os bons-dias, às cinco da tarde.

quarta-feira, setembro 27, 2006

Californiaaa



E pronto. É isto a Califórnia. Para quem não conhece, céu descaradamente azul todos os dias (como diz Arthur, o meu senhorio, uma sucessão entediante de dias maravilhosos); flores e árvores e passarinhos e esquilos (sim, esquilos! montes deles) por todo o lado, a trepar por tudo o que é sítio, a nascer em qualquer cantinho que encontrem (mas organizadinhos ao máximo, não pensem lá que por serem plantas ou bichinhos não fazem fila, como os amigos californianos, com aquelas fitas vermelhas separadoras, a desenhar corredores, e tudo, que nós, portugueses, desorganizados por natureza, só fazemos se vier o papa ou os Bloc Party a Portugal, mas dizia, fazem fila até para comprar selos); e placas com os nomes das ruas dispostas numa maneira tal que foram precisos dois dias para eu perceber que não iria ver nunca, mas nunca, durante três meses, uma única seta que me indicasse, simpática, um caminho que não fosse o da perdição. God bless.
Nada que não tenhamos em Portugal. Excepto talvez os esquilos nos nossos jardins. Ah, e a tal da organização. E os jardins, já agora.
No entanto, pelo andar da carruagem, se continuar a passar doze horas entre as aulas e a biblioteca (orientadora minha, vê como trabalho, snif snif) o único céu azul que vou ver é o de Portugal, quando voltar.
Exagero. Há sempre o céu azul-claro da manhã, o melhor momento do dia, a viagem de bicicleta até ao campus, quando ainda faz frio, pouquinho, e tudo promete ser em grande outra vez; há o azul quase branco do meio-dia, o calor apaziguado apenas pelos relvados à sombra; depois o azul alaranjado, quente ainda, do final do dia, do regresso a casa, ao casulo.
A lagarta saiu-se um belo ratinho de biblioteca, é o que é.. nem na Califónia..

segunda-feira, setembro 11, 2006

Alguns dias em setembro

Vi ontem a Marisa Monte em concerto e a Juliette Binoche em ante-estreia. Tenho o olhar satisfeito de mulheres lindas até, pelo menos, ao final do ano.

segunda-feira, setembro 04, 2006

Cedo de mais

A guerra começou ainda os mapas não estavam prontos. Por inadvertência o exército inteiro - com os seus milhares de soldados, os seus canhões e tanques - entrou numa rua sem saída.

O Senhor Brecht, Gonçalo M. Tavares