Lagarta Lanuda

sábado, dezembro 31, 2005

Tackle twenty o six

A Lagarta quer que todos os seus amiginhos (coloridos e a preto e branco) tenham um excelente 2006 :)
Como diz uma sábia grega que a Lagarta ainda não conhece, "tackle life!"

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Once a Scorpio, always a Scorpio

Scorpio (10/23 - 11/21)
You are shrewd in business and cannot be trusted. You will achieve the pinnacle of success because of your total lack of ethics. Most Scorpios are murdered.

Pronto. Convenceram-me.

sábado, dezembro 24, 2005

A merry little Clicstmas

Ouve-se dEUS aos berros pela casa. Não admira, é Natal, há que lembrar o Senhor. Mas não é só por isso. O lil bro da Lagarta está de visita por uns dias, thank god it's xmas, o que quer dizer que, e ambos sabemos mas não dizemos, é ele quem vai gerir o hi-fi por estes dias... Nada de Belle por uma quinzena ;)

Entretanto, enquanto passa a mesma ruga das calças mil vezes, a quem terá saído?, e veste e despe as vinte camisas, lindas todas, verdade seja dita, que trouxe, consegui que arranjasse tempo para escolher the ultimate xmas picture para postar neste dia tão festivo (cliché obrigatório).

Aqui está ela. Christmas at playmobil land. A ele e a mim, os clics trazem boas recordações, como os iogurtes de morango, mas os brancos, e é com esta boa recordação que queremos desejar a todos (os que lêem a Lagarta) um merry very white little Clicstmas!

domingo, dezembro 18, 2005

Eu queria escrever um post fantástico sobre a Irlanda, sobre o Cuchulain, meu herói, sobre os vales verdes, mesmo em Dezembro, sobre a Guinness, sobre as ovelhinhas, sobre o livro de Kells ou a primeira edição do Ulysses, sobre a Guinness, sobre Dublin, linda linda, ou Cork ou Ballycastle, Escócia à vista (faz adeus aos B&S: adeus!), sobre a música em todos os pubs, sobre o gigante Finn McCool, e o gigante Yeats. Sobre a Guinness.
Mas aparentemente não consigo. Acontece. Uma lagarta não é de ferro, que diabos. Em contrapartida não consigo parar de ler o Angela's ashes que é tão querido pelos irlandeses (e tão barato) que só falta oferecerem-no no aeroporto aos turistas. Ou isso ou uma Guinness.
Para colmatar esta imperdoável falha - talvez as falhas da lagarta sejam, afinal, o tal fio condutor, Ariadne - deixo-vos um excerto incrível do Angela's ashes. Para que não se diga que é um livro tristíssimo e sombrio. Para que se veja a força e a alegria irlandesas. Eu queria, mas não consigo transmiti-las de outra forma. Talvez me faça falta mais uma pint.

A proper First Communion breakfast at Grandma’s house:
«She banged pots and rattled pans and complained that the whole world expected her to be at their beck and call. I ate the egg, I ate the sausage, and when I reached for the sugar for my tea she slapped my hand away.
Go aisy with that sugar. It is a millionaire you think I am? An American? Is it bedecked in glitterin’ jewelry you think I am? Smothered in fancy furs?
The food churned in my stomach. I gagged. I ran to her backyard and threw it all up. Out she came.
Look at what he did. Thrun up his First Communion breakfast. Thrun up the body and blood of Jesus. I have God in me backyard. What am I goin’ to do?
She dragged me through the streets of Limerick. She told the neighbors and passing strangers about God in her backyard. She pushed me into confession box.
In the name of the Father, the Son, the Holy Ghost. Bless me Father, for I have sinned. It’s a day since my last confession.
A day? And what sins have you committed in a day, my child?
I overslept. I nearly missed my First Communion. My grandmother said I have standing up, North of Ireland, Presbyterian hair. I threw up my First Communion breakfast. Now Grandma says she has God in her backyard and what should she do.
Ah…ah… tell your grandmother to wash God away with a little water and for your penance say one Hail Mary and one Our Father. Say a prayer for me and God bless you my child.
Gandma and Mam were waiting close to the confession box. Now what did he say about God in me backyard?
He said wash Him away with a little water, Grandma.
Holy water or ordinary water?
He didn’t say, Grandma.
Well, go back and ask him.
But Grandma…
She pushed me back into the confessional.
Bless me, Father, for I have sinned, it’s a minute since my last confession.
A minute! Are you the boy that was just here?
I am, Father.
What is it now?
My Grandma says, Holy water or ordinary water?
Ordinary water, and tell your grandmother not to be bothering me again.
I told her, Ordinary water, Grandma, and he said don’t be bothering him again.
Don’t be bothering him again. That bloody ignorant bogtrotter.»

Frank McCourt, Angela's ashes

sábado, dezembro 17, 2005

Above all - we were wet*


Sim, em Dezembro, na Irlanda, andamos, acima de tudo, molhados. O céu está cinzento e da cama quentinha vêem-se passar os dubliners apressados que deitam fumo branco da boca quando respiram – lembranças de dragões passados? – e aquecem as mãos nos cappuccino, nos latte e nos mocha do Starbucks. Chove, mas mal se nota, mal precisamos dos abençoados guarda-chuvas, porque lá a chuva não é forte, como aqui, é antes uma marotice de leprechauns sobre a nossa cabeça, para nos obrigar a lembrar os lagos, o mar e a turfa. Então esquecemos as mãos geladas e pedimos, a imitar dragões, outro cappuccino.


*Frank McCourt, Angela's ashes

Conspiração contra o mau humor


Há sábados que começam com um beijinho e só tendem a melhorar...

(Já agora, Philip só tem um l, senhores jornalistas.)

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Para onde vai a Lagarta no domingo?

The Countess Cathleen in Paradise

All the heavy days are over;
Leave the body’s coloured pride
Underneath the grass and clover,
With the feet laid side by side.


Bathed in flaming founts of duty
She’ll not ask a haughty dress;
Carry all that mournful beauty
To the scented oaken press.


Did the kiss of Mother Mary
Put that music in her face?
Yet she goes with footstep wary,
Full of earth’s old timid grace.


‘Mong the feet of angels seven
What a dancer glimmering!
All the heavens bow down to Heaven,
Flame to flame and wing to wing.


W. B. Yeats, «The Countess Cathleen in Paradise», in The Rose, 1893