Lagarta Lanuda

quarta-feira, julho 27, 2005

Post profundamente egocêntrico, narcisista e solipsista. Aren't they all?



Quase de partida.
Mas, desta vez, digitalmente armada.
Para vos trazer o Born e o Raval ;)

terça-feira, julho 26, 2005

Gone fishin'



Difícil arranjar tempo para fazer um novo post quando se está a ler a BD
O Decálogo, dez volumes de F. Giroud e J.-F. Charles.
Thus, consider me gone fishing.

quarta-feira, julho 20, 2005

Bloco notas # 2

Já dormes? Não, ainda não, o que queres? Saber se ela está a dormir. Sim, está, não te lembras da história que lhe contaste? Sim. Então, ela adormeceu profundamente embalada pela tua história. E sonha? Sim, sonha com viagens de regresso, e sente-se bem, a sonhar assim. Fico contente; e aproveito para te pedir uma coisa. Queres pedir-me uma coisa? Sim. Diz lá, então. Queria que, como minha narradora, me deixasses sair, por uns tempos, desta história. Sair? Mas porquê? Porque, acordado, sinto que durmo e, se sonho, é com viagens sem regresso, nesta história que é tua para mim e para ela que dorme.

Nesse momento acordei e sentei-me, com um café amargo, a pensar no estranho pedido da minha personagem. Abri o meu manuscrito. Todos dormiam lá dentro à espera que os acordasse a escrita das suas vidas. Talvez eu devesse reescrever a minha também.

terça-feira, julho 19, 2005

Cinema, por Vinicius

De vez em quando encontramos um livro que sabemos que não nos irá desiludir. E então pegamos nele e levamo‑lo para nossa casa. E queremos mostrar-lhe o nosso mundo mas ele dá-nos a volta, caprichoso, e mostra-nos o mundo que é o seu – e que cheira a laranja amarga e a banana, sabe a tutu, fubá e siri, e é regado com chope ou vinho verde gelado – e que é já o nosso também, porque o lemos e o recebemos.

É o caso da antologia de crónicas sobre cinema de Vinicius de Moraes que o Independente coligiu e editou na colecção Horas Extraordinárias, para celebrar o seu 16º aniversário. Vinicius escreveu estas crónicas para a imprensa brasileira (A Manhã e Última Hora) durante a década de quarenta e início dos anos cinquenta. E hoje, mais de meio século depois, vem até minha casa e transforma uma tarde solarenga e preguiçosa no escuro do cinema, mudo, como um livro, como ele adorava.
Aqui fica uma dessas crónicas.


Smorgasbord

O smorgasbord é uma espécie de hors-d’oeuvre ou antipasto mamútico quase tão complexo como a palavra, do qual participam não só os ingredientes usuais, quais sejam fatias de presuntos, saladas de batata com molho de maionese, anchova, sardinha, azeitonas recheadas, feijão à moda de Boston, caviar, queijo rockfort amassado, pirão de castanhas, frutas secas, o diabo – tudo o que se possa imaginar em matéria de cozinha apetecente. Fica geralmente colocado sobre uma mesa imensa, numa legião de pratos e travessas comprimidos entre plantas exóticas, enquanto as pessoas à volta, todas possuídas dessa polida animosidade que existe entre os que se servem de pé e os que andam de elevador, se atravancam para alcançar o caviar luzidio ou o untuoso paté.
É freqüente se ouvir frases como esta, em geral ditas por senhoras: «Será que ela pensa que é dona de toda a mesa?» Até cadeirada pode sair em torno de uma mesa de smorgasbord. É comida demais para tão curta vida, e desperta uma gula artificial, nos circunstantes. Em geral ninguém come muito, devido à pletora. A mim, por exemplo, me dá uma completa gastura.
Duas vezes na minha vida tive que enfrentar mesas de smorgasbord, no estrangeiro. A verdade é que sou um homem de simples comer, podendo perfeitamente cumprir meu tempo no feijão com arroz, bife, batata frita e um ovo quente, a um canto do prato. Naturalmente, tutuzinho à mineira de vez em quando, com uma lingüicinha bem fritinha, ou um torresminho todo crespinho não caem mal. Sabe como é, não é: também não pode ser toda a vida o mesmo prato. Um homem precisa variar de comida. A pessoa necessita até de pratos estupefacientes, como as estupendas sirizadas que levam horas, as grandes feijoadas, com uma laranjinha bem azeda para cortar, e uma cachacinha para já ir resolvendo a parada, ou um cozido desses que levam bastante paio e bastante banana, ou uma boa peixada, regada com bom azeite e um vinhozinho verde do lado – ah meu Deus! Ou uma bouille-abbesse com todo o mar dentro, e de quando em quando um vatapá feito com muito camarão seco e um pirãozinho de fubá de arroz, fritinho que é para misturar bem na boca com o quente da pimentinha que se vai pondo, ou um caruru que também é boa comida, havendo-se antes entrado numa meia dúzia de acaraiés para forrar o estômago.
Mas eu tinha qualquer coisa para falar que já não me lembro… Ah, já sei. Era a propósito de Sansão e Dalila. Eu me lembrei de Sansão e Dalila, depois me lembrei de smorgasbord.
O que eu queria dizer, em resumo, é que Sansão e Dalila é um verdadeiro smorgasbord
. Bom apetite, pois.

Última Hora, 25 junho 1951

segunda-feira, julho 18, 2005

Great flowerpot mug: only $9.99



Pronto. Acabou. Agora vamos ter de nos habituar às segundas à noite tão vazias como esta caneca.
Ou não. Toca a mexer: há muito cinema ao ar livre, teatro de rua, esplanadas e amigos que não víamos há muito tempo e que agora estão de volta.
Se as saudades apertarem, pode-se sempre beber um cafezinho nesta chávena que, não sei porquê, me lembra a buganvília do David.

24 ideias por segundo


Alice, de Mariana Rio

A Lagarta encontrou um blogue verdinho verdinho como ela, via escrever para o boneco.
Nasceu há uns dias, é do Porto, tem fotos giras como esta, e está cheio de criatividade e bom gosto. Dispara 24 ideias por segundo. A Lagarta gostou muito.

sexta-feira, julho 15, 2005

Fizzi: cosmos of the woman



Wanita Cosmos trouxe-me até Wanita Bertudung, instalação de Fariza Azlina Isahak (aka Fizzi), também da Malásia. Mais trabalhos da autora aqui.
Have a blast!

Nur: woman of the cosmos



Há dias assim assim. E há dias assim: mal cai a noite e se acendem o incenso o projector e as estrelas, o mundo parece parar à nossa volta. É assim às vezes no cinema. Foi assim ontem durante os quatro minutos e meio de Wanita Cosmos, o delírio kitsch que me tirou do sério do malásio Diffan Sina Norman.

quinta-feira, julho 14, 2005

Another shallow post



Ou uns destes, para dançar flamenco con Juan, El de Juan.
O céu é o limite. Ou a Andaluzia.

A Lagarta calça uns Camper, 99 EUR
- I wish

Some blogs are a girl's best friend

Também quero uns assim.
Será que se clicar os calcanhares duas vezes eles me levarão até à Escócia?

terça-feira, julho 12, 2005

Fox or HBO?



Se me apressar, talvez consiga fazer o primeiro comentário ao penúltimo - meu deus, penúltimo, como vamos sobreviver? - episódio dos Sete Palmos de Terra. Se for bastante rápida, e teclar muito depressa, talvez este chegue a ser o primeiro post pós-penúltimo episódio do SFU na blogosfera portuguesa. Até a HBO ficará surpreendida com tamanha rapidez e destreza - intelectual e motora, porque custa escrever assim tão depressa, não pensem...
Mas, antes da excelência do comentário, da beleza do discurso e do rigor, queria saber, com toda a franqueza: foi ou não foi lindo o episódio do Futurama deste domingo?

segunda-feira, julho 11, 2005

Plim!



As bruxas boas e más, que caminham para o Norte e não só, estavam bem dispostas hoje. Na exacta confluência dos seus pontos cardeais - muito facilitada hoje via internet - as quatro senhoras consentiram, com um toque de varinha de condão - enter, hoje em dia -, que no dia 28 a Lagarta bata os dois calcanhares e possa partir para... o sítio do costume.

Aceitam-se encomendas ;)

sexta-feira, julho 01, 2005

Com acentos e cedilhas

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Para ti, Ana, um molhinho de acentos gráficos.
Com cheiro a coentros e canela para ajudar a matar as saudades de casa.
;)