Lagarta Lanuda

quarta-feira, abril 13, 2005

Quando tudo o mais falha

Quando tudo o mais falha, quando se escreve e até se gosta, quando se relê e se acha abominável, quando se corrige e se apaga, quando se corta e se acrescenta, quando é o êxtase e o desespero, quando se ri alto pela casa e se dança e se canta, quando se chora, quando não lembra comer dormir respirar, quando parece que é o fim, fica a certeza de que este livro oferece, sempre, o calor, o abrigo e o afago da certeza e da esfinge.

Escrevia até soar a meia-noite, e por muito tempo ainda. Mas como riscava tantos versos quantos os que acrescentava, acontecia que o seu número total, no fim do ano, fosse bastante menor que no início, e dir-se-ia que no processo de escrita o poema acabaria desaparecendo por completo.
Orlando, Virginia Woolf

Quando tudo o mais falha, o poema cresce, de tanto se sonhar com ele. Palavra de Lagarta.

2 Comments:

At 14:08, Blogger the Moth disse..

o mais feliz comentário acerca da angústia...

 
At 18:05, Anonymous laura disse..

«Eu passarei como uma nuvem por cima das ondas».
Virginia Woolf

 

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